Amanhã é Dia da Espiga uma celebração que une católicos e ateus


O dia da espiga está associado a rituais de agradecimento, este ano decorre no dia 2 de Junho – tem significados diferentes marcados pela geografia do País, mais religiosos a Norte e festivos a Sul. “Surgiu como festa pagã de carácter agrícola, que celebrava a época em que a espiga estava madura, em que ascendia à sua perfeição, e as famílias visitavam as searas”.

Apropriada pela Igreja de Roma, à semelhança de outras festas ancestrais, a data é assinalada no calendário cristão como Quinta-Feira da Ascensão e assinala a subida de Jesus Cristo ao Céu, 40 dias exactos passados sobre a Páscoa. “No Antigo Testamento, Cristo sobe ao monte com os seus discípulos para celebrar essa festa e é quando ascende. É a congregação perfeita entre o antigo e o rito cristão”.

Foi no século IV que a celebração litúrgica ganhou esplendor, quando a procissão com tochas e estandartes culminava na bênção dos primeiros frutos. Ao ser festejada nos campos, colou-se aos rituais agrícolas e confundiu os simbolismos, tomando o nome de Quinta-Feira de Espiga. Por tradição, nesse dia não se trabalhava. Começava cedo a ida ao campo para apanhar espigas e flores e formar ramos, que se guardavam em casa durante um ano. A apanha ainda hoje se faz, sobretudo pessoas que vendem ramos, mas mantém-se a festa popular.

Ramo colorido com trigo, oliveira e flores campestres – Seguindo a tradição, os ramos devem ter sempre espiga de trigo, para que haja pão o ano inteiro; um ramo de oliveira, para que não falte azeite,paz e luz divina; folha de videira, par chamar o vinho e a alegria. Já as flores campestres devem ser malmequer (fortuna), papoila (amor e vida) e alecrim (saúde e força).

Para quem acredita na sorte, a espiga é um amuleto que deve ser guardado em casa durante um ano, pendurado na parede da cozinha ou da sala, para trazer abundância, alegria e saúde, dizem os ditados populares. Em certas localidades, queimam-se os pés do ramo da espiga quando há trovoada para afastar a tempestade. A hora do culto – entre as 12h e as 13h, a apanha da espiga é realizada em certas localidades nesse período, quando o povo diz que tudo pára e na igreja se celebra o serviço religioso de Adoração. A Norte, o dia também é o da ordenha; a Sul a tradição apenas se resume à apanha do ramo.

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