Artes Culinárias debatidas em Poiares


SEMINÁRIO EM POIARES

Exposição observada, admirada e comida.

Está na altura de parar de imaginar porque a “Exposição que se come” aconteceu. Viu-se, contemplou-se, admirou-se e, no final, comeu-se. Comeu-se a arte de uma forma como ela não tinha sido ainda trabalhada. Sucesso? Sim. Garante a organização da “exposição que se come”, que ontem decorreu em Poiares, que a iniciativa é para repetir e trabalhar, acrescentando-lhe elementos de maior interesse.
A “Exposição que se come” foi promovida ontem, em Poiares, no âmbito do congresso das “Artes Culinárias”, pela Escola Universitária das Artes de Coimbra e pela Escola de Hotelaria. O chefe Luís Lavrador, que coordenou os trabalhos, não podia estar mais satisfeito com o resultado. Afinal, dezenas e dezenas de pessoas esperaram pelo final do seminário para comerem o que, momentos antes, era uma peça de arte.
Pelas várias mesas instaladas no Centro Cultural de Poiares espalhavam-se, de forma artística, os produtos que, de Norte a Sul do país, caracterizam o património gastronómico português. Todos com uma lei da composição subjacente: a broa de Avanca, por exemplo, foi disposta na mesa por forma a representar a lei da fragmentação, enquanto que as morcelas de arroz formavam o padrão. As sardinhas na telha formavam a suspensão e a sopa da pedra, mesmo com pedra, representava a triangulação. Ao leitão da Bairrada coube mostrar o princípio do relevo e da textura, ao passo que a chanfana de Poiares ficou responsável por mostrar aos visitantes o significado da homotetia. Doces também estiveram presentes. Os ovos-moles, por exemplo, que dispostos na mesa passavam para o público a noção de ritmo.
«Contribuímos com alguma teoria. Não usámos formas tradicionais de apresentação dos produtos, mas a lei da composição de arte», explicou António Modesto, professor da Escola de Artes, que, depois desta primeira experiência, que junta a arte e a culinária, pensa já numa evolução do projecto que envolva, inclusivamente, os alunos de artes (nesta exposição estiveram apenas envolvidos os de cozinha). O desafio, em seu entender, pode ir bem mais longe e para além dos alunos envolver também artistas e correntes artísticas. Quem sabe, exemplifica, a Joana Vasconcelos a trabalhar com um dos produtos mais genuínos da cozinha portuguesa. «Já trabalhou com tachos…», recorda o docente.

Seminário analisa
artes culinárias
A “Exposição que se come” foi uma das iniciativas integradas no seminário “Artes culinárias, um património cultural imaterial”, que ontem terminou, numa organização da Turismo Centro de Portugal, Direcção Regional da Cultura do Centro e Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas. Que recorreu no Centro Cultural de Poiares, o seminário começou às 10h00, com a apresentação do tema “A gastronomia da economia local”, onde se deram a conhecer os temas “O pastel de Tentúgal na economia local: importância de um produto endógeno”, “A gastronomia na economia local”, “A importância económico-social do queijo Serra da Estrela na sua área de produção” e “O impacto da chanfana no concelho de Vila Nova de Poiares”. A partir das 15h00 falou-se da “Gastronomia e as artes”, com a apresentação dos temas “A cozinha como meio de cultura” e “A alimentação e a arte no azulejo em Coimbra”. O encerramento está foi ás 18h00, decorrendo, de seguida, um jantar de partilha com leituras a cargo do grupo de teatro Bonifrates.

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