Saúde – Carne e cereais em detrimento de fruta e legumes – RTP Noticias


Carne e cereais em detrimento de fruta e legumes – RTP Noticias

via Saúde – Carne e cereais em detrimento de fruta e legumes – RTP Noticias.

Poiares celebrou o Dia da Floresta Autóctone


A quinta da Moenda, na freguesia de Santa Maria, Vila Nova de Poiares, foi o espaço escolhido pelo Núcleo da Região Centro da Liga para a Protecção da Natureza para assinalar o Dia da Floresta Autóctone.

O encontro foi no dia 27 pelas 14H30, com objectivo de reunir todos os interessados, residentes em Poiares ou noutros concelhos, e convidá-los para uma participação activa na plantação de espécies autóctones.

Em perspectiva foi, de acordo com a Liga, a plantação de carvalhos e sobreiros, bem como a recolha de sementes. com esta acção, que teve um cunho particularmente simbólico, a organização pretendeu “relembrar a importância da floresta natural”, que actualmente está “reduzida a pequenos espaços e sistematicamente ameaçada pela expansão das plantações de pinheiros, eucaliptos, ou pela invasão de acácias e outras exóticas”.

Artes Culinárias debatidas em Poiares


SEMINÁRIO EM POIARES

Exposição observada, admirada e comida.

Está na altura de parar de imaginar porque a “Exposição que se come” aconteceu. Viu-se, contemplou-se, admirou-se e, no final, comeu-se. Comeu-se a arte de uma forma como ela não tinha sido ainda trabalhada. Sucesso? Sim. Garante a organização da “exposição que se come”, que ontem decorreu em Poiares, que a iniciativa é para repetir e trabalhar, acrescentando-lhe elementos de maior interesse.
A “Exposição que se come” foi promovida ontem, em Poiares, no âmbito do congresso das “Artes Culinárias”, pela Escola Universitária das Artes de Coimbra e pela Escola de Hotelaria. O chefe Luís Lavrador, que coordenou os trabalhos, não podia estar mais satisfeito com o resultado. Afinal, dezenas e dezenas de pessoas esperaram pelo final do seminário para comerem o que, momentos antes, era uma peça de arte.
Pelas várias mesas instaladas no Centro Cultural de Poiares espalhavam-se, de forma artística, os produtos que, de Norte a Sul do país, caracterizam o património gastronómico português. Todos com uma lei da composição subjacente: a broa de Avanca, por exemplo, foi disposta na mesa por forma a representar a lei da fragmentação, enquanto que as morcelas de arroz formavam o padrão. As sardinhas na telha formavam a suspensão e a sopa da pedra, mesmo com pedra, representava a triangulação. Ao leitão da Bairrada coube mostrar o princípio do relevo e da textura, ao passo que a chanfana de Poiares ficou responsável por mostrar aos visitantes o significado da homotetia. Doces também estiveram presentes. Os ovos-moles, por exemplo, que dispostos na mesa passavam para o público a noção de ritmo.
«Contribuímos com alguma teoria. Não usámos formas tradicionais de apresentação dos produtos, mas a lei da composição de arte», explicou António Modesto, professor da Escola de Artes, que, depois desta primeira experiência, que junta a arte e a culinária, pensa já numa evolução do projecto que envolva, inclusivamente, os alunos de artes (nesta exposição estiveram apenas envolvidos os de cozinha). O desafio, em seu entender, pode ir bem mais longe e para além dos alunos envolver também artistas e correntes artísticas. Quem sabe, exemplifica, a Joana Vasconcelos a trabalhar com um dos produtos mais genuínos da cozinha portuguesa. «Já trabalhou com tachos…», recorda o docente.

Seminário analisa
artes culinárias
A “Exposição que se come” foi uma das iniciativas integradas no seminário “Artes culinárias, um património cultural imaterial”, que ontem terminou, numa organização da Turismo Centro de Portugal, Direcção Regional da Cultura do Centro e Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas. Que recorreu no Centro Cultural de Poiares, o seminário começou às 10h00, com a apresentação do tema “A gastronomia da economia local”, onde se deram a conhecer os temas “O pastel de Tentúgal na economia local: importância de um produto endógeno”, “A gastronomia na economia local”, “A importância económico-social do queijo Serra da Estrela na sua área de produção” e “O impacto da chanfana no concelho de Vila Nova de Poiares”. A partir das 15h00 falou-se da “Gastronomia e as artes”, com a apresentação dos temas “A cozinha como meio de cultura” e “A alimentação e a arte no azulejo em Coimbra”. O encerramento está foi ás 18h00, decorrendo, de seguida, um jantar de partilha com leituras a cargo do grupo de teatro Bonifrates.

Magusto junta cerca de 3 dezenas de pessoas da terra


O salão do Centro de Convívio de Alveite Grande, acolheu no passado dia 21, um convívio de S.Martinho em que os “presentes” participaram num magusto, acompanhado por jeropiga, e dançaram ao som do grupo “Cheirinhos do sul”, os quais proporcionaram momentos de festa e animação.

Magusto em Alveite Grande


A Resina do pinheiro bravo, Lembram-se da extracção?


A produção de resina teve um papel importante na economia da nossa região, particularmente no aspecto de prover trabalhos rurais. Embora a colheita de resina ainda hoje continue com menor incidência, atingiu o ponto máximo entre 1920 e 1970. É difícil obter uma ideia da indústria que existia antes de 1920 mas sabemos que o maior aumento de produção de resina aconteceu aquando da criação do Pinhal Interior Norte. Esta área florestada foi sistematicamente plantada com pinheiros-bravos (Pinus pinaster) entre 1900 e 1950.

A resina do pinheiro é um líquido viscoso que é excretado pelo pinheiro para selar e proteger qualquer ferida no pinheiro. É de uma cor amarelo acastanhado e no contacto com o ar torna-se duro e forma uma crosta quebradiça e pegajosa. Resina fossilizada é conhecida como âmbar e é considerada uma pedra semi-preciosa.

A resina é principalmente utilizada para a produção de aguarrás e pês. A aguarrás é utilizada para diluir e dissolver tintas e vernizes, em graxa de sapato e lacre. É também juntada a muitos produtos de limpeza devido as suas propriedades anti-sépticas e o seu perfume a pinheiro. O pês é utilizado em cola de papel e na fabricação de sabão, vernizes e tintas e talvez a utilização mais conhecida seja para os arcos de instrumentos musicais de corda como o violino. A vulgar resina de pinheiro era no passado utilizada nas embarcações de vela para as impermeabilizar. Também tem propriedades medicinais: sabe-se que é anti -patogénica (isto é a função principal para o pinheiro) e foi durante anos utilizada para esfoladelas e feridas, como tratamento contra piolhos, misturada com gordura animal para massajar no peito, ou para inalar contra doenças nasais e de garganta. No passado era aplicada em cubos de açúcar ou em mel como tratamento contra parasitas intestinais e remédio geral para tudo. É também um estimulante, um diurético, um adstringente e um anti-espasmódico. (Porém deve-se tomar em conta que o seu vapor pode queimar a pele e os olhos, prejudicar os pulmões e o sistema nervoso central quando inalada e causa insuficiências renais quando ingerida).

Um pinheiro de tamanho médio pode produzir 3-4kg de resina por ano. Os pinheiros produzem a melhor qualidade de resina quando estão em crescimento, por isso, o volume da colheita desce entre Abril e Setembro. Lembro-me quando na minha infância havia um resineiro do Olho Marinho que ainda hoje é vivo, que removia uma parte da casca na base do pinheiro, colocava peças de metal no pinheiro para direccionar o fluxo da resina para os recipientes de barro ou plástico. Depois apanhava a resina do recipiente e também do corte no pinheiro. Após remover a resina parcialmente cristalizada, a área era coberta com uma solução de ácido que estimula mais fluxo de resina. Em cada ano era feito um corte mais acima no tronco do pinheiro. Quando o corte subia para além do alcance do resineiro, este começava do lado oposto do pinheiro. Com o tempo, a casca ia crescendo sobre o corte original. A resina era armazenada em velhos barris de óleo armazenados nas fábricas de resina.

Em tempos houve pelo menos quatro fábricas de destilação de resina no concelho de Góis. Hoje só resta uma, na Chã de Alvares. A resina chega em barris de óleo que têm um buraco cortado de lado. O buraco é aberto e a resina é deitada por dentro da ‘barca’ (grande depósito de resina). O próximo processo é o aquecimento da resina até ao estado líquido e a filtração de todas as partículas de impureza do material. Antigamente, a resina era aquecida através de um fogo aberto, numa grande caldeira selada com uma serpentina de condensação, muito parecido com um alambique de aguardente. A aguarrás condensa, deixando o pês líquido no fundo da caldeira de destilação. O pês produzido desta forma tem uma cor vermelho acastanhado. Modernas técnicas de destilação utilizam vapor e produzem um pês de uma qualidade muito superior de cor amarelo dourado. Após a separação da aguarrás e do pês, o pês líquido é deitado em tabuleiros metálicos para arrefecer e endurecer. Quando está duro, é manualmente partido com um bastão de madeira em peças pequenas, que a seguir são ensacados e estão agora prontas para a distribuição.

Hoje ainda existem muitos velhos pinheiros na região que ainda são sangrados para obter a resina, ou pinheiros que demonstram as cicatrizes de décadas de sangria. Por toda a parte ainda é possível encontrar os recipientes de barro que antes se utilizavam para a colheita da resina, até mesmo nas florestas que já não são de pinheiros. Nalgumas áreas, a colheita de resina era o rendimento principal e muitas vezes coexistia com a produção de carvão e as colmeias. É um facto que florestas com activa produção de resina têm uma menor incidência de fogos florestais, provavelmente porque a comunidade está mais próxima e envolvida neste assunto e tem um interesse muito alto na preservação dos seus pinheiros. A resina proveniente de Portugal e outros países mediterrâneos é considerada ser de uma qualidade de topo, mas por causa dos custos de mão-de-obra, a produção mudou-se durante as últimas décadas para países em vias de desenvolvimento.

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