João Garcia no cume do Annapurna e na história do alpinismo mundial


Português foi o 10.º homem a subir as 14 montanhas com mais de 8000 m sem oxigénio artificial.

“Estamos a tirar as fotos da praxe e vamos já para baixo, devagar, e com cuidado, porque esta descida é muito difícil!”, disse João Garcia via rádio do cume do Annapurna (8091 m) para o campo 4 a 7000 metros de altitude, pouco depois de se tornar o 10.º homem a escalar as 14 mais altas montanhas do mundo, sem recorrer a oxigénio artificial.

O experiente alpinista português, que entra assim no clube restrito da elite do alpinismo mundial, levou 17 anos para realizar esse sonho que começou em 1993. Todavia, recordava que tinha ainda de realizar a difícil descida em segurança, antes do anoitecer na região. “Mais de 90% dos acidentes mortais que ocorrem na descida têm a ver mais com o cansaço extremo. Aquela vontade cega de atingir o cume a todo o custo faz, muitas das vezes, com que os alpinistas dêem tudo o que têm”, recordou João Garcia, antes da subida, antevendo as dificuldades ainda por percorrer. “Com a descida falta a outra metade. É como se a Rosa Mota corresse uma maratona e ficasse pelos 21 km. E os restantes? Na maratona ainda se pode parar, encostar ao passeio, mas na montanha não é assim, não se pode parar ou pensar que se pode descer no dia seguinte. Tem de se descer no mesmo dia”, explicou. Eram 13.30, horas no Nepal (08.45 em Portugal continental), quando João Garcia atingiu o cume do Annapurna. A chegada aos 8091 metros foi dificultada, ao fim da manhã, pela passagem, aos 7900 m, de um estreito corredor de gelo. “Foi preciso escavar degraus, e a progressão foi muito mais lenta nesta parte final da ascensão.”

Com João Garcia chegaram ao cume da décima montanha mais alta do planeta, outros oito alpinistas, espanhóis e nepaleses, em que se destaca na equipa da espanhola Edurne Pasabán, que se tornou a primeira mulher a concluir os 14 cumes acima de 8000 m.

João Garcia iniciou em 1993 o desafio de atingir os 14 cumes mais altos do mundo que foi conquistando a partir do monte Cho Oyu, na fronteira entre o Tibete e o Nepal, onde subiu aos 8201 metros a 24 de Setembro daquele ano.

O lisboeta, de 43 anos, que recebeu ontem as felicitações do Presidente da República Cavaco Silva, iniciou a actividade em 1983, com 16 anos, pelo Clube de Montanhismo da Guarda, na Serra da Estrela. No ano seguinte, experimentou a prática escalada em neve e gelo. Em 1985, ascendeu (entre outras montanhas), pela primeira vez, ao Monte Branco (4807 m ).

As montanhas mais perigosas do mundo

As montanhas têm diferentes graus de dificuldade de escalada, avaliadas pelo número de escaladas e o número de mortes. A montanha mais alta do planeta, o Evereste (8850 m) é o décimo cume mais perigoso do mundo, com 5,3% de mortes. A primeira nesta lista é o Annapurna (Nepal), com 8078 metros, e 40,15% de mortes. Este pico tem metade das subidas efectuadas na Nanga Parbat (8126m), no Paquistão, e no K2 (8611m), consideradas entre os alpinistas como as montanhas mais perigosas do mundo.

[Parabéns João, és o orgulho dos portugueses e de Portugal e do alpinismo português.
Sem dúvida que o que conseguiste ontem é um feito que deve ser reconhecido por todos.
É mais uma prova de que podemos fazer tudo a que nos propomos, desde que feito com sacrifício, esforço, persistência e honestidade.
Desejo te toda a sorte para as tuas futuras conquistas].

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