Celebrou-se ontem o dia dos 40 anos das comemorações do dia da Terra


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Quercus avisa que excesso de consumo está a destruir o planeta, 40 anos de celebração e continua tudo na mesma.

“O nosso relacionamento com o planeta Terra piorou nos últimos anos. Apesar de estarmos mais eficientes, temos cada vez mais produtos a gastar mais. A pressão sobre a Terra está a tornar-se cada vez maior”, avisa Susana Fonseca, presidente da Quercus. Por isso, esta associação ambiental admite que quarenta anos depois da primeira comemoração do dia da Terra, este planeta está na mesma ou pior.

O excesso de produção e de consumo parece ser a maior das “doenças” e a que provoca o resto dos males do mundo. A Quercus aponta, até, para a iminência de um cataclismo de magnitude planetária, em que as alterações climáticas são apenas um dos sintomas.

Dados da associação ambientalista indicam que, para mantermos este nível de consumo de recursos precisamos de um planeta e meio. No caso de Portugal, o número sobe para dois planetas e meio. É como ter um frigorífico cheio de comida em casa, mas o apetite voraz exigir dois e meio para sustentar a fome.

A culpa parece ser da nossa sociedade: “É-nos passada uma imagem de consumo e de luxo, em que o valor das pessoas vem daquilo que têm e não do que são. Isto é uma atitude insustentável para quem se preocupa com questões ecológicas”, diz Susana Fonseca. Uma questão de elevada importância num planeta em que três em cada quatro pessoas vivem em países em débito ecológico.

Estas são as nações que não conseguem produzir dentro das suas fronteiras os produtos que consomem, nem desfazer-se dos resíduos que produzem. “Este desrespeito pelos limites do planeta Terra acontece quando apenas mil milhões de pessoas têm uma vida abastada, mil a dois mil milhões vivem em economias de transição e cerca de três a quatro mil milhões sobrevivem com apenas alguns euros por dia”, diz a responsável da Quercus.

“Quarenta anos volvidos, não temos um balanço positivo da nossa relação com o planeta Terra. Face ao conhecimento que actualmente possuímos, estamos bastante aquém”, conclui a presidente.

Mas, afinal, o que é que nestes 40 anos não conseguimos alterar para mudar este cenário? Em resposta, Susana Fonseca aponta três falhas: a primeira é o excesso de produção e de consumo. “A falha maior”, aponta a ecologista: “Consumimos muito mais do que aquilo que necessitamos e os indicadores que se baseiam nisto não são sustentáveis.” O problema terá começado nos anos 1980 quando passamos a ter um défice de pegada ecológica. A partir daí foi sempre a piorar.

O segundo problema destes 40 anos foi o não desenvolvimento de energias renováveis. “Há muito que as conhecemos, mas ninguém investe nelas”, frisa Susana Fonseca, que lamenta que a crise de petróleo de 1973 não tenha ensinado nada acerca dos problemas deste combustível fóssil.

Em terceiro vem a falta de educação ambiental, uma questão que se estende a toda a gente, inclusive aqueles que têm as rédeas do mundo: “O que me espanta é que haja um consenso sobre as alterações climáticas, mas que ninguém tenha tido a coragem para que se assine um protocolo”, critica. Para a Quercus, é preciso que as pessoas saibam viver com o planeta, “sem serem agressivos”.

“É preciso formar pessoas, principalmente os líderes, antes que fiquemos sem recursos. O grande problema é que estivemos estes anos todos sem ligar nada ao planeta e agora temos de aprender rapidamente como tratar dele”, acrescenta Susana Fonseca.

Passados 40 anos, o cenário não é famoso, por isso a ecologista espera que quando chegarmos aos 50 anos do dia da Terra, estes três problemas estejam resolvidos: “Isto sendo bastante optimista.”

Programa das comemorações do 25 de Abril em V.N.Poiares 2010


João Garcia no cume do Annapurna e na história do alpinismo mundial


Português foi o 10.º homem a subir as 14 montanhas com mais de 8000 m sem oxigénio artificial.

“Estamos a tirar as fotos da praxe e vamos já para baixo, devagar, e com cuidado, porque esta descida é muito difícil!”, disse João Garcia via rádio do cume do Annapurna (8091 m) para o campo 4 a 7000 metros de altitude, pouco depois de se tornar o 10.º homem a escalar as 14 mais altas montanhas do mundo, sem recorrer a oxigénio artificial.

O experiente alpinista português, que entra assim no clube restrito da elite do alpinismo mundial, levou 17 anos para realizar esse sonho que começou em 1993. Todavia, recordava que tinha ainda de realizar a difícil descida em segurança, antes do anoitecer na região. “Mais de 90% dos acidentes mortais que ocorrem na descida têm a ver mais com o cansaço extremo. Aquela vontade cega de atingir o cume a todo o custo faz, muitas das vezes, com que os alpinistas dêem tudo o que têm”, recordou João Garcia, antes da subida, antevendo as dificuldades ainda por percorrer. “Com a descida falta a outra metade. É como se a Rosa Mota corresse uma maratona e ficasse pelos 21 km. E os restantes? Na maratona ainda se pode parar, encostar ao passeio, mas na montanha não é assim, não se pode parar ou pensar que se pode descer no dia seguinte. Tem de se descer no mesmo dia”, explicou. Eram 13.30, horas no Nepal (08.45 em Portugal continental), quando João Garcia atingiu o cume do Annapurna. A chegada aos 8091 metros foi dificultada, ao fim da manhã, pela passagem, aos 7900 m, de um estreito corredor de gelo. “Foi preciso escavar degraus, e a progressão foi muito mais lenta nesta parte final da ascensão.”

Com João Garcia chegaram ao cume da décima montanha mais alta do planeta, outros oito alpinistas, espanhóis e nepaleses, em que se destaca na equipa da espanhola Edurne Pasabán, que se tornou a primeira mulher a concluir os 14 cumes acima de 8000 m.

João Garcia iniciou em 1993 o desafio de atingir os 14 cumes mais altos do mundo que foi conquistando a partir do monte Cho Oyu, na fronteira entre o Tibete e o Nepal, onde subiu aos 8201 metros a 24 de Setembro daquele ano.

O lisboeta, de 43 anos, que recebeu ontem as felicitações do Presidente da República Cavaco Silva, iniciou a actividade em 1983, com 16 anos, pelo Clube de Montanhismo da Guarda, na Serra da Estrela. No ano seguinte, experimentou a prática escalada em neve e gelo. Em 1985, ascendeu (entre outras montanhas), pela primeira vez, ao Monte Branco (4807 m ).

As montanhas mais perigosas do mundo

As montanhas têm diferentes graus de dificuldade de escalada, avaliadas pelo número de escaladas e o número de mortes. A montanha mais alta do planeta, o Evereste (8850 m) é o décimo cume mais perigoso do mundo, com 5,3% de mortes. A primeira nesta lista é o Annapurna (Nepal), com 8078 metros, e 40,15% de mortes. Este pico tem metade das subidas efectuadas na Nanga Parbat (8126m), no Paquistão, e no K2 (8611m), consideradas entre os alpinistas como as montanhas mais perigosas do mundo.

[Parabéns João, és o orgulho dos portugueses e de Portugal e do alpinismo português.
Sem dúvida que o que conseguiste ontem é um feito que deve ser reconhecido por todos.
É mais uma prova de que podemos fazer tudo a que nos propomos, desde que feito com sacrifício, esforço, persistência e honestidade.
Desejo te toda a sorte para as tuas futuras conquistas].

Alveite Grande e a sua irmã Alveite Pequeno


Alveite Grande na Freguesia de S. Miguel de Poiares e Alveite Pequeno na Freguesia de Serpins.

O espírito de vizinhança resiste em várias povoações historicamente ligadas a Vila Nova de Poiares, apesar de espartilhadas desde o século XIX por concelhos limítrofes devido a sucessivas imposições administrativas. No Carvalho, no limite dos concelhos de Coimbra e Poiares, há famílias que passam a noite num município, mas já estão noutro, na mesma casa, quando de manhã tomam a primeira refeição. “Alguns dormem em Coimbra, mas tomam o pequeno-almoço, o almoço e o jantar em Poiares. Isto, às vezes, dá vontade de rir”, segundo o autarca Jaime Soares. Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares há 33 anos consecutivos, Jaime Soares, que também já foi deputado do PSD, tem exigido, sem sucesso, uma correcção dos “erros cometidos no passado”.

Alveite Grande está no concelho de Poiares. Mas o seu vizinho Alveite Pequeno, na freguesia de Serpins, pertence ao concelho da Lousã. No imaginário popular, são dois lugares irmanados pela encarnada pedra de Alveite, com que os artesãos esculpiram mós para produzir farinha, pias para animais beberem água e cantarias que decoram igrejas, casas e monumentos. Os habitantes de Alveite Pequeno constituem-se todos os anos em comissão, com os vizinhos poiarenses do Olho Marinho, para organizar a festa comunitária. Jaime Soares sonha ver um dia repostos os primitivos limites de Poiares. Preconiza um regresso quase patriótico às fronteiras de 1836, quando este município foi criado. Ao longo do século XIX, o concelho foi extinto duas vezes, “devido a vários jogos de interesses” protagonizados por políticos da época. “Espoliaram Poiares de uma grande superfície”, disse Jaime Soares à agência Lusa, indicando que “o concelho vinha com muito espaço a menos” ao ser restaurado definitivamente, em 1898. Em 1855, por exemplo, foram retiradas ao concelho de Santo André de Poiares as freguesias de Friúmes, Semide e parte da freguesia de Serpins, territórios que passaram para os municípios de Penacova, Miranda do Corvo e Lousã, respectivamente.

Outrora, segundo Joaquim Lima, de Alveite Pequeno, havia aqui uma taberna que “estava metade em Poiares e metade na Lousã”. “Dávamos dois passos dentro da taberna e estávamos em Poiares. Estamos numa ponta, já nem sabemos se pertencemos a um concelho ou ao outro”, refere o empresário, bem-humorado. Jaime Soares reconhece que “não será fácil” recuperar o território que pertenceu a Poiares na época do liberalismo. “As pessoas afirmam os valores da boa vizinhança, apesar da fronteira que as divide”, confirma. Residente no Carvalho, Fátima Vitorino tem parentes que moram na parte de Coimbra, enquanto “outros vivem no lado de Poiares”. Para esta técnica de serviço social, “é possível trabalhar diariamente no concelho de Poiares”, como é o seu caso, “e votar depois em Ceira”, concelho de Coimbra. Júlio Lourenço, que trabalha como motorista em Coimbra, recorda que o Centro Cultural do Carvalho, onde a população organiza bailes, foi propositadamente construído na linha divisória dos dois concelhos.
“Costumamos dizer que bebemos um copo em Poiares e vamos dançar a Coimbra!”, graceja.

Parque de merendas e chafariz das Medas actualmente


Parque repavimentado e limpo, ficando com novo aspecto. – Será que irá abrir brevemente?

Protecção de Menores de Vila Nova de Poiares


Poiares desenvolve trabalho em rede.

Prevenção é palavra de ordem e a esta juntam-se a intervenção precoce e o trabalho em rede. Conjugados, estes três factores constituem uma receita de sucesso e a “chave do segredo” da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Vila Nova de Poiares. Isso mesmo foi sublinhado na última reunião daquela estrutura, onde foi aprovado o plano de actividades para 2010 e feita uma análise detalhada do trabalho que tem vindo a ser efectuado.

E o balanço não podia ser mais positivo, uma vez que não se registou, no ano passado, «um aumento do volume processual», por um lado e, por outro, não se verifica a «existência de casos problemáticos». Indicadores que são um «motivo de orgulho para todos, em especial para o município», uma vez que «tais resultados decorrem, fundamentalmente, do excelente trabalho que a CPCJ tem vindo a desenvolver em Vila Nova de Poiares», faz notar a autarquia.

Jaime Soares, presidente da Câmara de Poiares e também da CPCJ, fez ainda questão de sublinhar, como factor importante para o êxito do trabalho desenvolvido, «a excelente interligação entre os parceiros que compõem a comissão, trabalhando em rede e criando, no “terreno”, uma envolvente cujo efeito dissuasor é importantíssimo».

O autarca explicou ainda, na reunião alargada, na qual estiveram presentes as várias entidades que integram a comissão, que a «nossa aposta incide essencialmente na prevenção, no acompanhamento e, sobretudo, na intervenção precoce, permitindo solucionar à partida os casos que, sem a intervenção adequada, poderiam, no futuro, causar problemas graves e ter efeitos extremamente prejudiciais».

O autarca sublinhou ainda que o bom desempenho da CPCJ de Vila Nova de Poiares, «reconhecido por todos os parceiros,», «não é fruto do acaso». E lembrou, a propósito, que esta comissão existe no município «desde 1993», constituindo «uma das primeiras a ser instituída, a nível nacional, o que tem resultado numa vasta expe-riência que se traduz nos bons resultados que, mais uma vez, foram confirmados», explicou.

Todavia, e apesar dos resultados animadores, a comissão está apostada em olhar o futuro, uma vez que «nunca é demais prevenir e alertar para estas problemáticas». É isso mesmo que pretende o plano de acção definido para 2010, aprovado por unanimidade, que apresenta actividades em todas as áreas de competência da CPCJ, no sentido de «proporcionar às crianças e jovens poiarenses actividades pedagógicas que promovam a sua participação e bem-estar, contribuindo para o desenvolvimento de comportamentos saudáveis e, também, estimular o exercício da sua cidadania, transformando-a numa cidadania cada vez mais activa».

Na reunião, presidia por Jaime Soares, estiverem representadas as diferentes instituições que integram a CPCJ, nomeadamente o Centro de Saúde de Vila Nova de Poiares, o Centro Distrital de Segurança Social, o Agrupamento de Escola de Vila Nova de Poiares, Associação de Pais e Encarregados de Educação, Guarda Nacional Republicana, Comunidade Juvenil de São Francisco de Assis, Associação de Desenvolvimento Integrado de Poiares e os Bombeiros Voluntários.

In D.C.

Para todos os leitores uma feliz e Santa Páscoa


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