Pelourinho primitivo da Lousã teve origem em Alveite


 

 

 

 

 

 

 

O Pelourinho da lousã 

Feito o pelourinho da Lousã, segundo o modelo primitivo, como se deduz do trabalho do Prof. Álvaro Viana de Lemos, após aturadas investigações de documentação e materiais subsistentes, apresenta um aspecto curioso, senão lírico, entre os demais. O facto de possuir quatro faces é sem dúvida, um caso raro entre os pelourinhos conhecidos no nosso País! Pode estar ligado a uma tradição; pode estar ligado a coisas arcaizantes — carrancas, símbolos, etc., que podiam derivar de passados culturais mais arcaicos ou, ainda, de formas religiosas mais arcaicas; pode estar, ainda, ligado a uma tradição de distribuidor de almas. No que se refere à Lousã e ao seu pelourinho, as quatro faces sugerem-nos algumas questões. Estes símbolos quadrifaces aparecem muito na Galiza. De qualquer forma, em termos conotativos pode-se estabelecer uma relação com o caso de Bragança. O problema que se põe é o da cronologia. Álvaro Viana de Lemos nesse capítulo refere: « … o pelourinho era de pedra vermelha de Alveite o que denotava ser o pelourinho anterior ao século XVI, pois que os melhores edifícios públicos, igrejas e pedras sigiladas da Lousã já são em calcário». Ora, os materiais nativos da Lousã são o xisto e o calhau rolado e não é material de que se possa fazer algo mais do que muros. Logo, a cantaria tinha que ser importada, em bruto ou talhada. Assim, ou se iam abastecer de calcário à Orla Litoral, à Orla Mezozóica, ou iam à zona do Coentral e traziam granito. Ficando a Lousã num sítio muito perto dos calcários e relativamente perto dos granitos é natural que para as suas construções mais representativas se tivessem servido deste tipo de pedra. No entanto o arenito ou pedra vermelha de Alveite tem a vantagem de ser uma pedra disponível e que está relativamente próxima. Assim, é possível que a opção do material para o pelourinho, tenha sido perfeitamente casual. [Trata-se de arenito duro de umas pedreiras exploradas, há muitos séculos no extremo norte do concelho confinando com o de Poiares. É uma pedra geralmente avermelhada mas com manchas que vão do negro ao amarelo. É difícil de trabalhar, não permitindo polido perfeito, nem escultura muito delicada. Figura nas edificações mais antigas da Lousã e arredores, desde o Castelo às casas do século XVIII. No século XVI começam a aparecer os calcários de Lamas, arredores de Coimbra e, de Ançã, que depois se generalizam, mas nas obras mais modestas, continuou-se sempre a usar a de Alveite, que ficava mais próxima e económica].

[“Já se encontra erigido no largo junto dos Paços do Concelho o Pelourinho Municipal. Foi construído em pedra da Serra de Alveite, segundo desenho do nosso patrício sr. Álvaro Viana de Lemos e obedecendo aos desenhos, gravuras e restos do que a fúria devastadora do tempo e estupidez dos homens fez desaparecer da antiga praça do município. É aquele monumento o símbolo da liberdade do concelho e atesta a sua antiguidade. Sem ornamentos nem qualquer motivo de beleza artística, é no entanto simples como o nosso povo e elegante como a nossa terra. Construído em cantaria provinda de pedreiras do Concelho da Lousã representa também uma homenagem à própria terra que o levantou. Não regatearemos aplausos à Vereação que de tal obra tomou a iniciativa e a levou a cabo e felicitamos o sr. Álvaro de Lemos por, com tanta fidelidade histórica, ter feito uma tão interessante e exacta reconstituição do monumento desaparecido” O Povo da Lousã, 25 de Setembro de 1943, p. 4]. [A reconstrução do pelourinho custou cerca de: arranjo da área adjacente, 2.048$60; pag. a pessoal na reconst., 341$00; peças em pedra, 524$00]. [Notas de José Alberto Matos da Silva e José Ricardo Ferreira de Almeida].

Quanto à localização do novo Pelourinho também o caso foi devidamente ponderado.

Pensou-se em colocar o Pelourinho, como seria lógico, no centro do jardim do novo Edifício Municipal mas notou-se que sendo muito vasto este espaço, só seria razoável tratando-se de monumento mais grandioso e que se aproximasse do estilo do século XVIII, que é o do Edifício e do jardim, em cujo centro está previsto, no projecto, uma fonte monumental. Pensou-se também no pequeno largo da Biblioteca, em frente de uma das faces laterais do mesmo edifício, mas como a esta fachada faltava a imponência da principal ou mesmo da posterior, optou-se por o colocar diante desta última, onde existe espaço conveniente, em frente da porta, que na realidade mais frequentemente é utilizada. Esta fachada não é uma simples traseira do edifício, se outra não houvesse, bem poderia figurar como principal, não amesquinha portanto o novo monumento e é o sítio mais cómodo e portanto apropriado.

Pelourinho-Face masculina

Pelourinho - Face masculina

 

Pelourinho - Face feminina

 

Pelourinho - Face feminina

 

 

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