Pinhal ou Eucalipto?


PERÍMETRO FLORESTAL DE ALVEITE GRANDE

Pinhal ou Eucalipto?

Temos por um lado a reduzida área da propriedade; por outro, a necessidade de capitais e o receio de ver o seu pinhal destruído por incêndios; e ainda uma boa expectativa de obter rendimentos em períodos curtos ( 10 a 12 anos em média) com a exploração de eucalipto em testadas/talhadia. E assim vai destruindo o seu pinhal.

Isto é o que se constata quando se percorre esta região nomeadamente o concelho em qualquer direcção, caminho ou carreiro. É assustador o espectáculo a que assistimos.

A este ritmo podemos garantir que dentro de 20 anos, esta região deixará de ser um concelho florestal para ser uma monótona e silenciosa brenha de esguias varas sem vida animal, de solos pedregosos e secos sem outra utilidade que não seja enriquecer as celuloses.

Hoje o panorama que se desfruta ao subir qualquer das serras que envolvem o concelho (S.Pedro Dias, Alveite e Carvalho), dá-nos já a ideia do que será o futuro. Com excepção dos perímetros florestais que estão sob a administração do Estado, já mal se nota a presença de pinhal. Aqui e ali, ainda se vê pequenos núcleos dispersos, envolvidos por vastas áreas de testadas de eucalipto, que começam também a ser invadidos por esta espécie e alarmante (acácia).

Em breve terão os Poiarenses de pensar em substituir os dois pinheiros das armas do concelho por duas varas de eucalipto e as andorinhas por caveiras, pois debaixo da extensa manta cinzenta de varedo não haverá vida animal de espécie nenhuma e ao fim de 40 anos restarão apenas ravinas nuas, secas e pedregosas. Acho que não se trata de uma visão pessimista, até porque quem não quiser ser cego que penetre numa testada de eucalipto com mais de 30 anos e veja bem o que lá está e pense, mas talvez na maioria dos casos ainda não atingiram essa idade devido aos incêndios das últimas décadas.

Perguntamos então: haverá, vantagens em substituir o “velho” pinhal pelas testadas de eucalipto? Dizem os técnicos pagos pelas «Celuloses», na sua propaganda, que sim senhor, há vantagens. Mas não dizem quais são. Nós diremos que sim há muitas vantagens. Mas para quem? As vantagens são elevadas para as indústrias de celulose porque vêem garantidos por 30 anos e a baixos custos, os abastecimentos de matéria-prima.

Em tempo de projectos de regeneração nacional em tantas áreas, por que não lançar um programa geral de deseucaliptização do País? Não será tempo de deixarmos de nos candidatar a província florestal da Austrália?

 

 

 

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